Jose Marcal de Ataide Assi

Entrevista com o Procurador de Justiça José Marçal de Ataíde Assi – “A música, assim como qualquer outra atividade de natureza artística, faz muito bem às pessoas”

 

A paixão pela música e pela literatura acompanha o Procurador de Justiça José Marçal de Ataíde Assi desde a juventude. Filho de Antônio Assi e Geny Ataíde Assi, Marçal nasceu no dia 28 de setembro de 1950, em São Gabriel da Palha/ES. Aos 16 anos de idade, aprendeu a tocar violão com o professor Antônio Loureiro.

 

Por alguns anos, foi guitarrista de um conjunto de baile - como eram chamadas as bandas antigamente - cujo nome era "The Snakes" que depois passou a chamar-se "Som Seis". O nome ainda alterou-se à medida que os seus integrantes iam deixando o formato original do grupo.

 

Em sua casa, possui vários instrumentos, e nas horas de folga, deleita-se na composição de melodias. Algumas delas, em parceria com o amigo capixaba Ricardo Rabello, engenheiro mecânico e músico.

 

Com relação à escrita, quando residia no bairro Olaria (Guarapari - ES), ainda jovem, escrevia crônicas para um pequeno jornal, cujo nome era "O Gozador". O periódico era datilografado em uma antiga máquina de escrever de seu pai, abordando fatos pitorescos que ocorriam no município, em festas, eventos cívicos e religiosos, destacando personagens e situações, quase sempre inusitadas, despontando sua vocação para a comédia escrita.

 

O Procurador Marçal fez parte de um grupo teatral na "Cidade Saúde", e entre um ato e outro, nas apresentações das peças, vestia-se de fraque e cartola, fazendo a leitura de textos, onde se incluíam piadas de sua autoria, e comerciais dos mais variados gêneros.

 

Recentemente, lançou as obras "Simbiose Urbana" e "Cotidiano Vertical", destacando nelas o humor dos fatos do dia a dia, para deleite daqueles que gostam do gênero.

 

É associado ao "Clube dos Compositores do Brasil" - CCB (www.clubedoscompositores.com.br), onde possui página pessoal com as melodias compostas, apresentando grande acesso por parte do público. Todas as músicas acham-se arquivadas na "Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música" - ASBACEM - órgão ligado ao ECAD para fins de percepção de direitos autorais sobre as mesmas.

 

Ingressou no Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) no dia 05 de janeiro de 1981 como Promotor de Justiça. Atuou em várias Comarcas do estado. É Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atuou como professor de Processo Penal na Escola de Estudos Superiores do Ministério Público e na Universidade de Vila Velha (UVV), exerceu por quatro mandatos o cargo de Subprocurador-Geral de Justiça Administrativo, e tem artigos jurídicos publicados em revistas especializadas. É autor do livro "Da Denúncia e do Libelo" com duas edições.

 

Atualmente, é Procurador de Justiça no MPES, e após 30 anos de serviços prestados à Instituição, Marçal de Ataíde retomou os sonhos que embalaram a sua juventude: literatura e música. A seguir, confira a entrevista:

 

AESMP - Quando e como surgiu o interesse pela música?

José Marçal de Ataíde Assi - Desde jovem! Em 1996, fui morar em Guarapari. No meu bairro, conheci um professor de violão, cujo nome é Antônio Loureiro. Ele me ensinava com outras pessoas interessadas todo dia à tarde, na sua casa. Com o passar dos anos, fui tomando gosto pela música e desenvolvi algumas habilidades. O talento, que é nato a cada um de nós, foi se aflorando aos poucos e toquei em um conjunto como guitarrista-base de baile da mesma cidade por alguns anos.

 

Existiram pessoas na família que eram músicos?

Instrumentistas não. Minha mãe, hoje falecida, cantava no coral da igreja onde frequentávamos, e meu irmão solta a voz nas serestas que participa ainda hoje.

 

Há pouco tempo, o senhor lançou o CD Estilos com as melodias: "Deixa", "Da Diva", "Só o tempo", "Nuvem de Esperança", entre outras. Qual a sensação atual?

Como a música sempre esteve presente na minha vida, tenho vários instrumentos em casa. Ao longo de um ano e pouco, fui começando a criar algumas composições, sendo algumas com letras e músicas próprias, outras em parceria com o letrista Ricardo Rabello, que é um dileto amigo e amante da música. O processo de criação, como qualquer outra atividade mental, é espontâneo. Existem músicas feitas em 10 minutos, em algumas semanas, as quais são inspiradas em momentos que você vivencia ou nas situações do dia a dia. Procurei fazer um CD bem eclético, com músicas para todos os gostos. Nele existem sambas, boleros, rocks, xotes, e músicas românticas. Tenho uma preocupação imensa em evitar a ocorrência de plágio. Sempre que gravo em casa (voz e violão em MP3), antes que a gravadora esboce os primeiros arranjos, ouço sempre a opinião de três pessoas para conferir se já escutaram algo parecido com a nova melodia que estou criando. Exemplificando tal fato, na música “Sem Solução”, alterei uma passagem, pois lembrava uma melodia muito conhecida. Nela, tive que fazer uma notação musical diferenciada em sua segunda parte, para fugir de semelhança. Além disto, quando elas ficam prontas, submeto-as ao crivo do órgão competente pelo registro, para avaliar a eventual similitude com outra canção.

 

Há alguma música preferida no novo CD?

Sim. "Não Consigo Te Esquecer", que é a de numero 10 do CD. Certa feita, cheguei do trabalho no final da tarde e fui à varanda. Estava caindo uma garoa fria e com o violão em punho, num clima que evocava um pouco de melancolia, a saudade de alguém, acabei compondo rapidamente uma música que, pela linha melódica e pelas circunstâncias do momento na qual foi feita, agrada aos meus ouvidos.

 

Poderia citar outras melodias que compôs?

Existem outras três melodias que fiz, mas que ainda não foram gravadas, e estão em processo de conclusão. Quem sabe, no futuro, farão parte de outro projeto.

 

O senhor tocou com muitos artistas e bandas. Quais foram os momentos mais emocionantes da sua carreira?

Quando tocava na banda "The Snack’s", posteriormente chamada de "Som Seis", viajamos muito pelo interior do estado e por estados vizinhos (Minas, Rio). Chegamos a acompanhar alguns artistas famosos à época, mas depois fui me envolvendo com coisas prioritárias, ocupando o nosso tempo com outros compromissos profissionais, e a música ficou de lado, dando lugar aos estudos.

 

De que forma a música pode trazer benefícios para a sociedade, tão carente de valores?

A música, assim como qualquer outra atividade de natureza artística, faz muito bem às pessoas. Vivemos em uma sociedade essencialmente conflituosa. A música e a arte são instrumentos de deleite, porque proporcionam o prazer, trazendo para todos nós momentos de felicidade, de paz, além de difundir os valores mais caros da pessoa humana: o amor, a paz, a solidariedade, entre outros.

 

Como o senhor avalia a evolução da música brasileira?

Atualmente, não se vê mais o "purismo" na música popular brasileira. Um ou outro cantor (a) ou banda guardam a essência da brasilidade ainda, principalmente, no samba e na bossa nova, que são a nossa maior expressão. Na realidade, a música aqui produzida encontra-se multifacetada, descaracterizada, sob a influência de movimentos, culturas, ritmos, e outros valores importados, mas que também são formas de expressão, e que vão se modificando com o correr do tempo.

 

Recentemente, o senhor lançou as obras "Simbiose Urbana" e "Cotidiano Vertical". O que o inspirou a escrevê-las?

Do mesmo modo que a música entrou na minha vida, a escrita teve uma participação importante também. Sem se falar nos artigos técnicos, sempre gostei de escrever sobre outras coisas menos sérias. Sou um atento observador dos fatos do dia a dia, e extraio deles aquilo me parece mais pitoresco. Nessa vertente, escolhi a comédia como pano de fundo para dois romances que fiz ("Simbiose Urbana" e "Cotidiano Vertical").

 

O senhor tem o próximo passo para lançamento de CD ou livro?

Tenho alguma coisa iniciada em casa sobre outro romance, mais ainda encontra-se em estágio embrionário. De igual modo sobre as músicas novas, como disse na resposta da pergunta acima.

 

Em quais locais podemos adquirir o novo CD?

É sabido que, escrever e fazer música só enriquece a uns poucos privilegiados. Não tenho a pretensão de ganhar dinheiro com as criações. Gosto muito de cantar, e o meu interesse é divulgar minhas canções ao máximo possível de pessoas. Os recursos arrecadados serão utilizados para cobrir os gastos com a produção.

Foi criada uma página, sob a forma de Blog, por uma empresa especializada na criação de sites na internet. Os interessados na compra das obras e do CD “Estilos” (lançado recentemente) poderão adquiri-los no meu Blog, cujo endereço é www.marcaldeataide.com.br, criado especialmente para divulgação do trabalho.

Tenho conversado com o Presidente da AESMP, Marcello Souza Queiroz, para ver a possibilidade de intermediar a aquisição dos CDs pelos colegas que estejam interessados em adquiri-los.

 

Gostaria de acrescentar mais alguma informação à entrevista?

É importante para nós, profissionais dedicados integralmente a solucionar conflitos de interesses, que absorvemos um pouco da tragédia humana pelo processo, que tenhamos um espaço para nos dedicar a algo prazeroso na nossa vida. Aprender um idioma, a pintar, a dançar, a tocar um instrumento, a exercitar-se fisicamente, traz um bem-estar físico e mental. Enfim, dedicar-se a uma atividade lúdica com a família, é forma de eliminar o estresse que o trabalho diário nos impõe. Hoje, temos exemplos brilhantes no Ministério Público. Como exemplos, cito: nossas colegas Itajacy e Nery, pintoras exímias, uma delas expondo inclusive no exterior; colegas que se dedicam a maratonas, como a Cláudia Sasso e o Luiz Antônio; à música, como Florêncio Herzog, Ronaldo Assis e Sérgio Dário Machado os quais possuem CDs gravados também. Neste rol, destacam-se outros colegas que estão fora do ambiente de trabalho e encontram alternativas de tornar a vida mais prazerosa.

 



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